segunda-feira, 9 de junho de 2014

Barcos de papel

Shhhhhh...
Olha a chuva...
O menino corre à janela
Uma ideia colore o dia:
pega o bilhete de amor,
a carta de dor,
o boleto,
o boletim,
 - folhas sem fim! -
uma a uma, dobra que dobra,
uma esquadra se forma.
Guarda-chuva em punho, galochas nos pés
Lá vai o menino,
lá se vai a armada,
lá se vai a papelada
desaguando, desmachando,
na tarde chuvosa,
tudo que não é rosa,
tudo que nubla o dia,
tudo que rouba a alegria,

na forma de barcos de papel. 

Um comentário:

  1. Perfeito!..." alguém já disse que as águas de um rio não passam no mesmo lugar", assim como o barco do poema leva o sofrimento para longe deixando somente mais uma vivência passada. Adorei!

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