segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os golpes

OS GOLPES




O velho, guaiaca forrada, na flor da melhor idade, resolveu assumir o filho bastardo, fruto de uma paixão entre os pés de milho da fazenda. Mandou buscar o rapaz. Moço alto, taludo, cuja robustez muito orgulhava o pai – “olha só o que eu fiz” -, pensava ele, estufando o peito de orgulho. Criado na roça, no meio do nada, o que sobrava de atributos físicos ao rapaz, faltava-lhe em traquejo, em esperteza. Temendo que algum malandro ou alguma sirigaita se aproveitasse da ingenuidade do filho, o pai resolveu ter uma conversa de pé-de-orelha com o rapaz:

- Olha, filho, sei que tu és um bagualão, mas as coisas aqui em Porto Alegre são diferentes lá da fazenda...

O filho nem piscava. O velho continuou:

- Agora, tu tens pai rico, carteira forrada... Tens que te cuidar para não caíres no bico doce de qualquer sirigaita. Já ouviste falar no golpe do baú?

- Não ouvi, não, senhor. – Respondeu o moço, grudando os olhos no tapete.

A situação era pior do que o velho imaginava. Temeroso da resposta, continuou:

- E do golpe da barriga, sabes do que se trata?

O rapaz avermelhou. Apenas balançou a cabeça, quase a enfiando entre os joelhos.

O pai sentiu a pressão subir. Era só o que lhe faltava: sua fortuna, a tanto suor construída, ir parar nas mãos de uma aventureirazinha qualquer. Como iria entrar nesses assuntos com um bagualão desses? Não tinham intimidade para tanto. Resolveu mudar o rumo das perguntas:

- E só falta tu me dizeres que não conheces o golpe do bilhete premiado, da mala, do final de semana grátis na serra ou na praia...

O moço só fazia que não com a cabeça. O velho, impaciente, ralhou com o rapaz:

- E o que tu entendes de golpes, então, criatura? Tu cairias em qualquer um?

Envergonhado, o rapaz respondeu:

- O único que até a gente conhece lá nas grotas é o golpe do leilão do craque... Parece que a mesma pessoa já conseguiu aplicar duas vezes num pessoal muito inteligente lá na tal de Azenha ...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Corre, corre: vem chegando o Natal

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Corre, corre,


Pro Menino nascer feliz...



Corre, corre

O espírito aprendiz...



A mãe faz faxina geral;

A avó, biscoitos de Natal.

O avô arruma o pinheiro

Trabalha, trabalha o dia inteiro.



A tia ralha com o menino:

- Olha só, escuta o sino!

Papai Noel está espiando.

Acho bom ir se comportando!





O pai monta o presépio, muito ocupado:

Manjedoura, vaquinhas, tudo com lugar marcado.

Entram os três reis magos em fila indiana:

Melquior, Baltazar e Gaspar trazem presentes bacanas.

Depois, Maria e José – e, para a sagrada família completar,.

No centro, o Menino Jesus vem a todos iluminar.





O guri queria que sempre fosse Natal

Cheiro de comida boa

Sua gente sorrindo à toa

Nem precisava presente

Já está todo contente.

Do Papai Noel, tem até pena...

Andar de trenó, puxado por rena

Aos solavancos, deve ser desconfortável!

E aquela roupa? Calor insuportável!

O Menino Jesus não iria querer

Fazer um pobre velhinho derreter!





- O Papai Noel merece um descanso!

Falou o guri, do seu jeito manso.

O Avô deu uma gargalhada.

A avó abafou uma risada.

- Esse garoto tem cada ideia mirabolante!

Falou a tia implicante.

A gente faz a festa de aniversário do Jesus Menino

Mas esquece de convidar o aniversariante

Só lembra do Papai Noel, com suas botas, presentes e sino.

O guri percebeu: algo estava errado...

Alguém ali estava muito enganado!

Festa de aniversário sem o aniversariante?

Roupa comprida com calor escaldante?



Foi procurar explicação.

Do avô, ouviu a lição:



Natal mesmo é no coração da gente

Amor é o maior presente

Essa é a mensagem do menino Jesus

Lembrada nessa noite de luz.



Presentes, bolas coloridas

Alegram, sim, nossas vidas

Mas o mais genial

É a verdadeira lição de Natal:

Todos pararam seus afazeres

Era a hora de ir além dos deveres.

Todos juntos cantando a velha canção

Que traz paz, alegria e amor ao coração.

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