OS GOLPES
O velho, guaiaca forrada, na flor da melhor idade, resolveu assumir o filho bastardo, fruto de uma paixão entre os pés de milho da fazenda. Mandou buscar o rapaz. Moço alto, taludo, cuja robustez muito orgulhava o pai – “olha só o que eu fiz” -, pensava ele, estufando o peito de orgulho. Criado na roça, no meio do nada, o que sobrava de atributos físicos ao rapaz, faltava-lhe em traquejo, em esperteza. Temendo que algum malandro ou alguma sirigaita se aproveitasse da ingenuidade do filho, o pai resolveu ter uma conversa de pé-de-orelha com o rapaz:
- Olha, filho, sei que tu és um bagualão, mas as coisas aqui em Porto Alegre são diferentes lá da fazenda...
O filho nem piscava. O velho continuou:
- Agora, tu tens pai rico, carteira forrada... Tens que te cuidar para não caíres no bico doce de qualquer sirigaita. Já ouviste falar no golpe do baú?
- Não ouvi, não, senhor. – Respondeu o moço, grudando os olhos no tapete.
A situação era pior do que o velho imaginava. Temeroso da resposta, continuou:
- E do golpe da barriga, sabes do que se trata?
O rapaz avermelhou. Apenas balançou a cabeça, quase a enfiando entre os joelhos.
O pai sentiu a pressão subir. Era só o que lhe faltava: sua fortuna, a tanto suor construída, ir parar nas mãos de uma aventureirazinha qualquer. Como iria entrar nesses assuntos com um bagualão desses? Não tinham intimidade para tanto. Resolveu mudar o rumo das perguntas:
- E só falta tu me dizeres que não conheces o golpe do bilhete premiado, da mala, do final de semana grátis na serra ou na praia...
O moço só fazia que não com a cabeça. O velho, impaciente, ralhou com o rapaz:
- E o que tu entendes de golpes, então, criatura? Tu cairias em qualquer um?
Envergonhado, o rapaz respondeu:
- O único que até a gente conhece lá nas grotas é o golpe do leilão do craque... Parece que a mesma pessoa já conseguiu aplicar duas vezes num pessoal muito inteligente lá na tal de Azenha ...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Corre, corre: vem chegando o Natal
Corre, corre,
Pro Menino nascer feliz...
Corre, corre
O espírito aprendiz...
A mãe faz faxina geral;
A avó, biscoitos de Natal.
O avô arruma o pinheiro
Trabalha, trabalha o dia inteiro.
A tia ralha com o menino:
- Olha só, escuta o sino!
Papai Noel está espiando.
Acho bom ir se comportando!
O pai monta o presépio, muito ocupado:
Manjedoura, vaquinhas, tudo com lugar marcado.
Entram os três reis magos em fila indiana:
Melquior, Baltazar e Gaspar trazem presentes bacanas.
Depois, Maria e José – e, para a sagrada família completar,.
No centro, o Menino Jesus vem a todos iluminar.
O guri queria que sempre fosse Natal
Cheiro de comida boa
Sua gente sorrindo à toa
Nem precisava presente
Já está todo contente.
Do Papai Noel, tem até pena...
Andar de trenó, puxado por rena
Aos solavancos, deve ser desconfortável!
E aquela roupa? Calor insuportável!
O Menino Jesus não iria querer
Fazer um pobre velhinho derreter!
- O Papai Noel merece um descanso!
Falou o guri, do seu jeito manso.
O Avô deu uma gargalhada.
A avó abafou uma risada.
- Esse garoto tem cada ideia mirabolante!
Falou a tia implicante.
A gente faz a festa de aniversário do Jesus Menino
Mas esquece de convidar o aniversariante
Só lembra do Papai Noel, com suas botas, presentes e sino.
O guri percebeu: algo estava errado...
Alguém ali estava muito enganado!
Festa de aniversário sem o aniversariante?
Roupa comprida com calor escaldante?
Foi procurar explicação.
Do avô, ouviu a lição:
Natal mesmo é no coração da gente
Amor é o maior presente
Essa é a mensagem do menino Jesus
Lembrada nessa noite de luz.
Presentes, bolas coloridas
Alegram, sim, nossas vidas
Mas o mais genial
É a verdadeira lição de Natal:
Todos pararam seus afazeres
Era a hora de ir além dos deveres.
Todos juntos cantando a velha canção
Que traz paz, alegria e amor ao coração.
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