quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Caçadas de João Pedrinho

Quando o sol se vai...
Quando chega a noite...
Quando tudo fica bem escuro...

...OBA!

É hora de caçar lagartixas!

Em uma das mãos, levo lanterna.
Na outra, a mão de meu Vovô.

Somos grandes caçadores.

Lagartixas são ligeiras.
Lagartixas são espertas.

Elas têm cores diferentes - mais claras, mais escuras. Só pra confundir.
Preciso olhar bem.
Nos cantinhos das paredes e dos muros, elas se escondem.
Ficam bem quietinhas.
Depois saem em disparada.

Um dia, peguei uma pelo rabo.
Fiquei com o rabo dela na minha mão.
Ele se mexia!
A danada se foi.
Que susto! Coitadinha! E se ela morresse?
Chorei.
Queria pegá-la e colar o rabo com fita adesiva.
Vovô deu risada.
Explicou que o rabo cresce de novo.
Ah, bom!
Estava com pena.
Não quero machucar os bichinhos.
Só quero olhar de perto, dar um carinho.
Depois eu solto, juro!

Nesses dias, Vovô pegou um sapo com a rede de limpar a piscina.
Bem legal ele.Até me deu um oi bem assim:
- Uoba!
Levei o sapo, com rede e tudo, para cumprimentar a Vovó também.
Vovó gosta tanto de conversar. Quem sabe não faz o sapo falar ?
Sapos têm muitas histórias para contar, do tempo em que eram reis e príncipes.
Vovó estava deitadona no sofá, assistindo à novela chaaata.
Peguei a rede pelo cabo. Era uma surpresa.
Fui bem quietinho.
Um pé, depois o outro.
Na tevê, um tio e uma tia quase se beijando.
Encostei a rede no rosto da Vovó.
Ela se virou e...
- Aaaiiii!!!

O maior grito do mundo.
O recorde de salto nas olimpíadas das Vovós.

Mamãe me levou para casa, já era tarde.
Todo o dia, sempre fica muito tarde.

Ela me bota na cama e me conta a história de um gurizinho muito mandão que virou sapo.
Ela até tenta contar outra história. Eu quero sempre a mesma.
O sono vem, areinha nos olhos.
Papai vem me dar boa-noite.
Eu me rendo e durmo
e reino, soberano, nos sonhos de minhas próximas caçadas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mais um dia

O sol se foi.


A noite veio.

Está bem escuro.





Mamãe acende as lâmpadas.

A luz espanta os monstros lá de fora.



Vovô faz fogo na lareira.

O calor espanta os monstros aqui de dentro.



Mamãe me serve sopa quentinha.

A comida mata os monstros da minha barriga.



Vovó termina de coser o pijama felpudo

A maciez acaba com os monstros que moram debaixo da cama.



Papai me conta uma história.

A sua voz, doce e forte, afugenta os monstros da minha cabeça.



Mamãe e papai me botam na cama.

Ela canta uma canção de ninar.

Sempre a mesma, linda e previsível.

Ele reza para meu anjo da guarda.



Meus anjos espantam meus monstros

Deixam que eu sossegue,

e durma,

e cresça,

para mais um dia que virá.